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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Então, nem contei... sexta-feira foi a festa de confraternização da firma.
Como sempre, teve chiliques, bêbados (MUITOS bêbados) e um barraco. Abafado, mas ainda assim, um barraco.

Ah!
Teve hipocrisia, também.
Mas, isso nem precisava falar, né?




Tou cansada também de gente nhém-nhém-nhém, cheia de bosta, toda dodói, que vive fazendo merda, quebra a cara e não aprende nunca.
Que se contenta com pouco, que se engana a todo momento, dizendo que é melhor ficar com alguém que não ama, do que ficar só.
Come bosta e acha uma delícia, saca?


[Qualquer semelhança com alguém que você conhece, não é mera coincidência.]


Cara, um dia eu ainda enforco essa Bipo do caráleo.
Não tenho mais saco.
Não tenho.



Tou cansada de gente falsa e interesseira.
Can-sa-da.

Resolução de fim de ano: no Ano Novo, manterei essa corja longe de mim.



Fiquei sabendo que mais um se foi no sábado.
Cliente meu há tempos. Doença de chagas, coitado.

Que uruca.
Pareço aquele personagem com a nuvenzinha em cima da cabeça.
:o/


segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Drummond

R E S Í D U O

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).


Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros,
ficou um pouco.



Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.


Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...


De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.


E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão. Às vezes um rato.




Cerejão




Pra Rnt.
:o)


domingo, 22 de novembro de 2009

Ontem, falei com meus tios de Presidente Prudente e com minha prima Silvana.
Não tinha o telefone deles, por isso não pude avisá-los de papys.
Eles se mudaram pra lá, mas antes foram em casa e não encontraram ninguém; acabamos perdendo o contato.
Mas, como para Deus o Google nada é impossível, pesquisei o nome de todos os meus primos e encontrei um deles, que tem uma sorveteria lá. Daí, pra achar minha tia Odete (irmã da minha mãe) foi um pulinho.

*********************************

Escrevi esse post no comecinho desse ano e não terminei. Acabei não contando que meu tio João estava na casa da minha prima, quando caiu e quebrou o fêmur.
Fui visitá-lo lá em Diadema, em 07 de junho.
Choramos ao nos encontrar. Acho que choramos por tudo: pela minha mãe, pelo meu pai, pelo tempo que ficamos longe.
Aproveitei e matei as saudades dos meu primos e da minha querida tia Odete.
Ela fez nhoque pra mim, porque quando nos falamos pelo telefone, eu disse que morria de vontade de comer a comida dela, principalmente o nhoque.
Passamos um domingo muito gostoso, como há muito tempo não passávamos.
E deixamos, meio que combinado, nos encontrarmos em dezembro, nas minhas férias. Se eles estivessem em Prudente, eu iria pra lá passar uma semana, se estivesse aqui na minha prima de Diadema, melhor ainda. Pretendíamos passar o Natal ou o Ano Novo juntos, como sempre fazíamos.
Mas, a vida nem sempre permite que façamos as coisas à nossa maneira.
Ontem, depois de passar um dia inteiro com minha amigona Cris (fazia tempo, né nêga?), recebi uma péssima notícia ao chegar em casa (meu celular estava sem bateria).
Tatys, com os olhos cheios de lágrimas, me disse que nossa tia se foi pra sempre. Enfarto fulminante.
Chorei que nem criança e até agora, ainda estou com um nó na garganta.
Foi lá em Prudente, não dava mais tempo de ir. Por outro lado, acho que ficar sem celular foi providencial. Guardo a lembrança dela, nos esperando no portão, com um sorriso no rosto e aqueles olhinhos verdes brilhando.

Falta muito pra 2009 acabar?
Eu queria dormir e só acordar no ano que vem.


Poesia do Mês

RESÍDUO

De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço ― vazio ― de cigarros,
ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

Se de tudo fica um pouco,
mas por que não ficaria
um pouco de mim? no trem
que leva ao norte, no barco,
nos anúncios de jornal,
um pouco de mim em Londres,
um pouco de mim algures?
na consoante?
no poço?

Um pouco fica oscilando
na embocadura dos rios
e os peixes não o evitam,
um pouco: não está nos livros.
De tudo fica um pouco.
Não muito: de uma torneira
pinga esta gota absurda,
meio sal e meio álcool,
salta esta perna de rã,
este vidro de relógio
partido em mil esperanças,
este pescoço de cisne,
este segredo infantil...
De tudo ficou um pouco:
de mim; de ti; de Abelardo.
Cabelo na minha manga,
de tudo ficou um pouco;
vento nas orelhas minhas,
simplório arroto, gemido
de víscera inconformada,
e minúsculos artefatos:
campânula, alvéolo, cápsula
de revólver... de aspirina.
De tudo ficou um pouco.

E de tudo fica um pouco.
Oh, abre os vidros de loção
e abafa o insuportável
mau cheiro da memória.

Mas de tudo, terrível, fica um pouco,
e sob as ondas ritmadas
e sob as nuvens e os ventos
e sob as pontes e sob os túneis
e sob as labaredas e sob o sarcasmo
e sob a gosma e sob o vômito
e sob o soluço, o cárcere, o esquecido
e sob os espetáculos e sob a morte escarlate
e sob as bibliotecas, os asilos, as igrejas triunfantes
e sob tu mesmo e sob teus pés já duros
e sob os gonzos da família e da classe,
fica sempre um pouco de tudo.
Às vezes um botão.
Às vezes um rato.

Carlos Drummond de Andrade


Tem gente me olhando!



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